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A BANDEIRA DA DISCÓRDIA

 Em junho, um atirador invadiu a igreja episcopal metodista africana Emanuel, na cidade de Charleston, no estado norte-americano da Carolina do Sul, e matou nove integrantes da congregação. O caso voltou a comover um país traumatizado por ataques terroristas e acessos de loucura de extremistas e de ex-combatentes. Para acirrar ainda mais os ânimos, as vítimas eram todas negras e o suspeito, um jovem branco que, segundo suas próprias palavras, queria, através do ataque, iniciar uma "guerra racial".

Com o suspeito da barbárie preso, a população norte-americana voltou suas armas contra um alvo inusitado e, ao mesmo tempo, de grande simbolismo: a bandeira Confederada. Dias após o crime, centenas de pessoas na Carolina do Sul se reuniram na frente da sede do governo do estado pedindo a retirada da bandeira que, apesar da derrota dos Confederados na Guerra Civil de 1861, ainda permanece hasteada em frente ao prédio.


Os protestos contra a bandeira confederada se espalharam pelo país e ganharam importantes apoiadores. Pré-candidata do Partido Democrata à presidência em 2016, Hillary Clinton se disse contra à bandeira e afirmou que ela não deveria tremular em lugar algum. Empresas de peso como Google, Amazon, Wal-Mart, Sears e e-Bay anunciaram a proibição da venda de qualquer produto relacionado à bandeira confederada. Por fim, um dos maiores fabricantes de bandeiras nos Estados Unidos declarou que irá interromper a fabricação da bandeira dos Estados Confederados.

Confederados e o escravismo nos Estados Unidos

Entretanto, não é a primeira vez que cidadãos negros são atacados por brancos nos Estados Unidos. Por que, então, apenas agora a bandeira Confederada vem sendo alvo de protestos das pessoas que condenam o racismo no país? A resposta pode estar na própria história dos Estados Unidos. Sede da igreja episcopal, a cidade de Charleston também foi palco da primeira batalha da Guerra Civil de 1861, que colocou frente a frente os estados da União, abolicionistas, contra os estados Confederados (como a Carolina do Sul), que defendiam a escravidão. Junto com Mississippi, Flórida, Alabama, Georgia, Lousiana e Texas, a Carolina do Sul defendia a escravidão no país e tem na bandeira uma parte da sua história.

Preservar a história, aliás, é a principal alegação dos defensores da bandeira Confederada. Ao exibir a bandeira em suas casas, roupas e carros, eles alegam que estão homenageando as quase 500 mil vítimas da Guerra Civil norte-americana, entre mortos, feridos e presos. Além disso, a bandeira seria também um símbolo da história do Sul do país e da cultura da região. Já os críticos da bandeira a consideram um afronta à sociedade civil e um emblema da escravidão nos Estados Unidos. Eles lembram também que a bandeira chegou a ser usada pelo grupo racista Ku Klux Klan ao longo do século XX para simbolizar o ódio aos negros no país.

Apesar da polêmica, a bandeira continua hasteada no prédio do governo em Charleston, porque a lei local assim o determina. A governadora Nikki Haley apoia a retirada do símbolo confederado dos prédios públicos do Estado, mas essa medida só pode ser tomada através de uma mudança na lei do estado, que vem sendo debatida por parlamentares da Carolina do Sul.

É um absurdo que crimes como esses ainda aconteçam pelo mundo, principalmente, em países com alto grau de desenvolvimento econômico como os Estados Unidos. Apesar de os Estados Unidos estarem alcançando importantes conquistas na área social, como a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o racismo ainda é uma barreira triste no país. Quanto à bandeira, não se pode deixar de lado o seu papel importante para a história norte-americana, mas, nos dias de hoje, existe um lugar mais adequado para ela: a parede de um museu.


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